A urna eletrônica brasileira começou a ser utilizada nas eleições municipais de 1996 e completou 30 anos em 2026. O projeto reuniu profissionais da Justiça Eleitoral e especialistas de instituições tecnológicas para substituir etapas da votação e da apuração em papel.
Quem participou do desenvolvimento
A história do equipamento envolve uma equipe multidisciplinar ligada ao Tribunal Superior Eleitoral e a instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o então Centro Técnico Aeroespacial. Relatos históricos citam profissionais como Paulo Camarão, Giuseppe Janino, Antônio Ésio Salgado, Paulo Nakaya, Mauro Hashioka e Oswaldo Catsumi.
O desafio era criar um equipamento de uso simples, capaz de operar em diferentes regiões do país e registrar os votos de forma padronizada.
A estreia da urna eletrônica em 1996
A primeira geração foi utilizada nas eleições municipais de 1996 em parte do eleitorado. A adoção foi ampliada nos pleitos seguintes até alcançar todo o país. Desde então, novos modelos receberam mudanças em hardware, armazenamento, acessibilidade, identificação biométrica e mecanismos de segurança.
A urna fica conectada à internet?
A urna utilizada na seção eleitoral não possui conexão com a internet durante a votação. Os resultados de cada seção são registrados no Boletim de Urna, que pode ser impresso e comparado com os dados posteriormente divulgados pela Justiça Eleitoral.
Isso não significa que qualquer tecnologia deva ser descrita como absolutamente inviolável. A segurança é construída em camadas e inclui procedimentos de inspeção, assinatura digital, auditoria, lacração e testes realizados antes das eleições.
Teste Público da Urna
O Teste Público da Urna permite que participantes executem planos para procurar fragilidades nos sistemas eleitorais em ambiente controlado. Quando um teste identifica um ponto de melhoria, a Justiça Eleitoral realiza ajustes, e os participantes podem voltar no Teste de Confirmação para avaliar a correção.
O objetivo é fortalecer a transparência e aprimorar continuamente os sistemas, e não afirmar que falhas jamais podem ser encontradas.
Como a urna eletrônica pode ser fiscalizada
A fiscalização não acontece apenas no dia da eleição. Partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outras entidades previstas nas normas eleitorais podem acompanhar diferentes etapas. Entre elas estão a abertura dos códigos-fonte, as cerimônias de assinatura e lacração dos sistemas e a preparação dos equipamentos.
No dia da votação, o Boletim de Urna permite conferir o total registrado em cada seção. O documento impresso pela urna eletrônica pode ser fotografado ou copiado pelos fiscais e comparado posteriormente com o resultado publicado pela Justiça Eleitoral. Essa verificação independente é uma das formas de auditoria do processo.
Registro Digital do Voto e Boletim de Urna
O Registro Digital do Voto armazena os votos sem associá-los à identidade ou à ordem dos eleitores. Ao final da votação, a urna emite o Boletim de Urna com a quantidade de votos apurada naquela seção. Cópias podem ser fornecidas a fiscais e divulgadas para conferência.
Acessibilidade
Os equipamentos contam com teclado com referência em braile e recursos de áudio para auxiliar eleitores com deficiência visual. A Justiça Eleitoral também atualiza recursos de acessibilidade ao longo dos ciclos eleitorais.
Perguntas frequentes
A urna recebe comandos pela internet durante a votação?
Não. A urna eletrônica utilizada na seção não opera conectada à internet durante a votação.
Especialistas podem testar o sistema?
Sim. O TSE organiza o Teste Público da Urna e permite a execução de planos aprovados conforme o edital.
Como conferir o resultado da seção?
O Boletim de Urna apresenta os totais registrados naquela seção e pode ser comparado com os resultados divulgados oficialmente.
Fontes oficiais
- TSE: Teste Público da Urna
- Justiça Eleitoral: evolução técnica da urna
- TRE-SP: 30 anos da urna eletrônica
Atualizado em 7 de agosto de 2026.
